Muitas
vezes é difícil de se falar nessa etapa da vida, por ser associado à morte, é
muitas vezes negado de diferentes formas.
Conceituar
essa etapa da vida é difícil, pois a velhice se define como processo de envelhecimento,
e sendo assim está diretamente ligado com a cultura e ao tipo de sociedade.
Conforme
dados em 2025 seremos a sexta população com o maior número de idosos do mundo,
e por projeções feitas estaremos com mais de 32 milhões de pessoas acima de 60
anos.(IBGE,2002)
A
forma de cada pessoa envelhecer depende de vários fatores : condições sociais,
culturais, econômicas, físicas, e características individuais de personalidade.
A influência dos hábitos pessoais e a herança genética também podem intervir na
vivência do envelhecimento.
Coube
a Psicologia Analítica a proposta de uma mudança profunda na visão dos
mecanismos inerentes ao envelhecimento. Em relação à velhice, Jung afirmava que
os últimos anos são preciosos para se fazer uma revisão da vida e para reparar
erros, e, portanto, a vivência dessa etapa era fundamental para o
desenvolvimento pleno da personalidade.
Com
aumento da expectativa de vida – deveria estar acompanhando uma evolução na
expectativa da saúde.
A
realidade, porém, nos impõem um grande desafio, que é transformar esses ganhos
em beneficio para a sociedade, superando estigmas, exclusões e descaso. É
imprescindível que se revise o conceito de cuidar daqueles que necessitam ser
cuidados em razão da fragilidade, doença ou senilidade.
Envelhecer
não significa adoecer, mas na idade avançada o desenvolvimento de agravos é
mais frequente como o aumento das doenças crônicas que podem levar a
deficiência física, funcional e psicológica.
Devido
a vários fatores as famílias procuram por instituições (ILPI) prestadoras de
serviços a esta clientela. Esta realidade conduz a outras formas de atenção e
cuidados, muitas vezes as práticas de cuidado ao idoso acabam por criar um
cotidiano esvaziado de significado e bastante empobrecido. Ex. pacientes ficam
o dia todo assistindo televisão.
Para
Boff (1999), cuidar é mais que um ato, é uma atitude de compromisso, de
responsabilidade e de interesse genuíno pelo outro. Cuidar pressupõe colocar-se
ao lado do sujeito, interessar-se pelo seu desconforto, sua fragilidade e seu
sofrimento, cuidar de seus demônios e anjos interiores, tudo isso implica em
uma atitude ética e uma convivência em solidariedade, compressão, compaixão e
amor.
Todo
ser humano busca se tratar pela própria vontade de sobreviver.
Então
a atitude de cuidar surge da criatividade humana, da sensibilidade diante das
trocas com outrem e das condições naturais da capacidade pessoal não só de
gerar novas situações, mas também de executar uma ação.
Para
Ostrower (1996) cuidar pode ser entendido como um processo criativo que abrange
a capacidade de compreender, relacionar, ordenar, configurar e significar ou
modo a redimensionar nossa consciência (Lohorgue).
A
arteterapia é uma proposta terapêutica apropriada para a intervenção junto ao
idoso, é uma alternativa de cuidado.
Possibilita
atividades de conforto ao ser humano que se encontra em condição de fragilidade
e sofrimento. A arteterapia está direcionada a todos que se interessam pela busca do bem-estar,
como uma reflexão do desenvolvimento da
personalidade, das relações sociais e da solução de conflitos.(
Urrutigaray,2004).
Pode
ser usada em geriatria e gerontologia como suporte terapêutico, a fim de
estimular a criatividade, permitindo a descoberta de uma nova socialização e o
restabelecimento da confiança.
A
arte facilita a expressão de alguns processos internos pela presença do
material entre o terapeuta e o idoso. O uso da arteterapia com pessoas da
terceira idade tem sido registrado por Acosta (2003),quando relata as
transformações ocorridas com pessoas institucionalizadas, visto que a pessoa
sai da posição incômoda de perceber-se como inútil e passa a se ver como alguém
que cria, esta terapia leva ao autoconhecimento e à autoconfiança, promoção da
saúde e do bem-estar, é essencial para o idoso.
O
exercício de arte num espaço-tempo terapêutico e lúdico facilita múltiplos
modos de se expressar e comunicar, transformar o ambiente e o humor da pessoa, ajudando
na recuperação de sua saúde.
Arteterapia e ludicidade podem atuar juntas no
tratamento da dor, do desconforto, da rigidez, da inércia, promovendo qualidade
de vida, espontaneidade e conforto, acolhendo o ritmo de cada um ao manifestar
seus conteúdos internos.
Assim
os benefícios físicos e mentais do uso da ludicidade no trabalho com idoso,
envolvendo atividades físicas, recreativas e socioculturais, dentre estes
benefícios se destaca uma vida com mais qualidade e autonomia, aumento no nível
de percepção da corporeidade, melhora autoestima e da autoconfiança, maior
agilidade nas tarefas diárias, redução no uso de medicações estimula alegria
restituindo a motivação pela vida.
É
sempre tempo de aprender e de ver a vida do melhor ponto de vista. É preciso se
permitir a criação, alegria e as surpresas das descobertas.
Assim,
viver criativamente é viver com saúde.